
Outro dia encontrei essa imagem e me apaixonei de cara. Postei no meu mural, recebi alguns likes... Mas ela continuou na minha cabeça. As vezes converso com algumas pessoas sobre viagens e experiências no exterios, intercâmbio e todo o aprendizado que vem junto com ele. E muitos ouvem e admiram o que eu comento, mas vêem essa possibilidade como algo tão distante... Então resolvi escrever algumas palavrinhas aqui.

Em 2009, no final do terceiro colegial fui fazer intercâmbio em Roma, na Itália. Não sabia o que me aguardava, fui morrendo de medo e cheia de curiosidade. Mas não demorou muito para eu me apaixonar por aquela realidade! É claro que o início não foi fácil, morar com uma família que eu nunca tinha visto na vida, era algo realmente 'estranho'. Me sentir 'em casa' em um lugar que eu desconhecia. Pegar ônibus que eu nunca havia pego e, caso eu me perdesse, me virar com um mapinha para achar a estrada correta. Frequentar uma escola completamente diferente de todas que eu já havia estudado e passar horas olhando para professores que falavam uma língua que eu entendia 1 a cada 10 palavras. É, o começo é sempre difícil.

Mas já ouviram falar que as dificuldades nos trazem grandes aprendizados? Saí de uma cidade do interior de SP com 600 mil habitantes, onde vivi minha vida toda, para morar na capital de um país, onde eu não conhecia ninguém. Lá estava eu, 17 anos recém completados e uns 40 e poucos kg de bagagem. Era tudo o que eu tinha. Passava minhas manhãs em uma escola onde todos os alunos eram aparentemente loucos, rs... As melhores escolas na Europa são as públicas, então ali você vai conhecer todos os tipos de pessoas. Vai descobrir que seu colega de turma vende alguns produtinhos ilícitos na hora do intervalo, enquanto aquela outra conhece pelo menos 2 países novos por ano! E assim você aprende a fazer amizade com todo mundo, se não quer ser uma estrangeira solitária por longos meses. E posso dizer que ali fiz excelentes amigos!

Dentro de casa você vai aprender a ser mais organizada (ou não), e vai ter que agir educadamente com aquela irmã que pega suas coisas sem avisar, mesmo nos dias de TPM! Vai torcer o nariz para alguns costumes, e nunca vai aceitá-los. Mas vai compreender que cada cultura age da sua própria maneira. Terá que explicar porque toma banho e lava o cabelo todos os dias, e terá que provar que no carnaval nem todo mundo se "veste" como a Globeleza. Entre tantas outras mentiras que falam sobre o Brasil... E no final de tantos esclarecimentos e aceitações, sairá de lá considerando aquelas pessoas parte do que você chama de FAMIGLIA.

Depois de tantos aprendizados, tantas fotos, tantos amigos (italianos e de outras origens), uma língua nova no seu vocabulário, voltar para casa não é a tarefa mais simples. Entre tantas lágrimas me despedi daquelas pessoas com apenas uma promessa: eu volto logo. E foi o que eu fiz. Cheguei quase na metade de julho, poucos dias depois estava prestando vestibular e começando a frequentar aulas com uma nova turma, dando início ao que chamam de carreira. E foi assim que de intercambista sem grandes compromissos, passei para estudante universitária. E por 6 meses fiquei pensando como eu voltaria. Bom, para começar, eu precisava de um emprego. Dei início ao segundo semestre da faculdade estagiando em uma revista. Passei um ano saindo pouquíssimo de casa nos finais de semana, e abastencendo o porquinho com todo o dinheiro que eu podia. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Um ano depois eu estava fazendo minhas malas e organizando passagens, reservas de albergues, comprando guias. Lá fui eu, sozinha, com a cara e a coragem reencontrar minha famiglia e conhecer um pouquiiinho do que a Europa tem para oferecer. Durante o intercâmbio já havia conhecido algumas cidades da Itália, a Bélgica e a República Tcheca. Dessa vez queria visitar a Inglaterra (London e Liverpool) e a França (Paris). Comecei passando alguns dias em Roma com eles e logo depois do natal fui para Paris onde passei o ano novo. Sou do tipo que gosta de viajar sozinha, fazer meus horários, manter os dias no meu pique. Mas é claro que no albergue acabei conhecendo outros brasileiros! Depois de lá fui para Liverpool, conhecer a terra dos meus queridos Beatles. Passei o maior frio da minha vida, mas me apaixonei por aquela cidade. De lá, um trem para Londres e depois um avião para Venezia (reencontrar uma famiglia que havia me hospedado lá). Foram 17 dias de viagem: eu e um mochilão.

Essa viagem, para mim, foi uma grande prova de que o mundo é muito "menor" do que parece. Juntar um dinheirinho aqui e outro ali, vai sim te possibilitar grandes aprendizados! Não é necessário um salário millionaire para você ir fazer um mochilão e nem um paitrocínio! Só é necessária uma coisa: vontade.
Pode demorar para se tornar realidade.. Mas sim, é possível. O que eu aprendi entre todos esses embarques e desembarques, eu não poderia ter aprendido de outra maneira.

Voltei para Roma, onde aproveitei mais 12 dias com eles e enfim voltei para o Brasil. A despedida? Com a mesma promessa da outra vez: torno presto!
Post sobre Paris
Post sobre Liverpool
Con amore,
Valentina Rampini
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